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A VELHA REPÚBLICA TARDIA

Resumo

O regime instaurado pelo chamado Aparato Petista apresenta características que remetem a práticas históricas da República Velha, como o clientelismo, o paternalismo estatal e o patrimonialismo. Esses elementos formam um arranjo político que mantém relações de dependência, limita a autonomia social e restringe avanços econômicos e tecnológicos. Nesse contexto, programas sociais frequentemente deixam de promover inclusão produtiva ampla e acabam funcionando como instrumentos de mobilização política, contribuindo para a reprodução das desigualdades e para a persistência de obstáculos estruturais ao desenvolvimento do país.

A Velha República Tardia

 

O regime instaurado pelo Aparato Petista pode ser interpretado como uma reconfiguração contemporânea de padrões estruturais associados à República Velha brasileira. Essa analogia se sustenta na permanência — e, em alguns aspectos, no aprofundamento — de práticas políticas como o clientelismo, o paternalismo estatal e o patrimonialismo, elementos que historicamente caracterizaram o período.

 

No contexto da República Velha, o clientelismo consistia na troca sistemática de favores, benefícios e proteção política por apoio eleitoral, estruturando relações assimétricas e duradouras entre agentes públicos e grupos sociais dependentes. O paternalismo, por sua vez, manifestava-se na lógica de concessões estatais que reforçavam laços de subordinação, ao invés de promover autonomia econômica, social ou política. Esses mecanismos eram sustentados por uma dinâmica econômica pouco diversificada e fortemente ancorada no setor agrário, combinada com um Estado capturado por interesses oligárquicos.

A analogia proposta sugere que o regime contemporâneo apresenta características semelhantes: práticas de governança que mantêm vínculos de dependência política, uso estratégico de benefícios públicos para formação e preservação de bases de apoio e prevalência de estruturas patrimonialistas na gestão estatal. Esse arranjo de elementos contribui para limitar a superação de entraves históricos e para restringir avanços tecnológicos, econômicos e sociais, mantendo importantes potencialidades nacionais subexploradas.

 

No interior desse arranjo, os programas sociais desempenham papel relevante. Embora concebidos para atender demandas de populações vulneráveis, muitas vezes não se consolidam como instrumentos de inserção plena no processo produtivo nem como políticas capacitadoras. Em determinadas circunstâncias, acabam funcionando como mecanismos de mobilização e fidelização política, reproduzindo relações paternalistas e clientelistas que restringem a expansão da autonomia individual e coletiva.

 

A discrepância entre o discurso de transformação associado a tais políticas e os indicadores de desenvolvimento social e econômico permanece evidente. O país continua apresentando elevados níveis de desigualdade e se situa aquém dos parâmetros observados em nações com maior desenvolvimento humano, o que evidencia a persistência de obstáculos estruturais à construção de um modelo de desenvolvimento mais inclusivo e sustentável.

Sua análise crítica e suas sugestões científicas são essenciais para o aprimoramento deste projeto.

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